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Escrito por L. Ascenso   
Sexta, 01 Maio 2009 21:29

A ideia surgiu cerca de um ano antes da data prevista para a execução, mas os preparativos intensificaram-se 5 meses antes da data prevista para a grande partida (04-07-2009).
Começámos por definir as etapas ao pormenor, pesquisar os pontos de interesse em cada etapa, esboçar os custos de cada etapa e prever o custo total da viagem, definir o que levar para a viagem, quais os procedimentos a tomar antes de partir e claro, definir um plano de contingência.
Pretende-se com este artigo criar um documento pedagógico e de referência para nós e para outros viajantes.

Abordado neste documento:
1. definir a rota e as etapas
2. pesquisar os pontos de interesse
3. os custos
4. a mochila
5. o plano de contingência
6. as checklists

Definir a rota e as etapas

É muito importante levar uma rota traçada e etapas bem definidas. Mesmo tendo consciência que a rota geral e as etapas são flexíveis, é importante ter um ponto de referência com o qual possamos quantificar e gerir o tempo disponível para a viagem, bem como traçar rotas alternativas em caso de necessidade de por em prática o plano de contingência.

Foram consideradas as rotas mais extensas na primeira semana de viagem, uma vez que à medida que os Kms vão sendo percorridos o desgaste físico é exponencial.

A ferramenta utilizada foi o Google Maps dada a facilidade e flexibilidade para traçar as rotas. Esta ferramenta é gratuita e disponibiliza uma galeria de fotos e comentários ao longo de todo o traçado, contributo dos internautas de todo o mundo e cuja utilidade para identificar e localizar pontos de interesse é inegável.

Pesquisar os pontos de interesse

Com as etapas definidas, procedemos a uma pesquisa intensiva de pontos de interesse utilizando a Internet. Não queríamos deixar de destacar o contributo precioso dos fóruns www.viajardemoto.com e www.forumfz.com que disponibilizam inúmeros recursos como crónicas de outros adeptos do mototurismo e links para websites relacionados, o www.mycitymate.com onde constam muitas informações sobre inúmeras cidades como pontos de interesse, restaurantes, bares, discotes, etc.  e claro, o www.google.pt. Contribuíram também sugestões várias do canal Travel e de amigos e familiares.
Para nossa exclusiva referência, registámos todos os pontos de interesse e fotografias destes num roadbook detalhado que pretendemos levar connosco para consulta no início de cada etapa.

Os custos (por mota)

É certo que quando nos disponibilizamos a por em prática um projecto ambicioso como este em que a despesa nunca é parca, esta não será com certeza uma preocupação exagerada, no entanto é importante que estas sejam quantificadas durante a preparação da viagem, para que as surpresas, a existirem, tenham impacto reduzido e não coloquem em causa o próprio projecto.

De uma forma geral, os custos do projecto dividem-se em 3 fases: a preparação, a viagem propriamente dita e o recondicionamento das motas.

A preparação
Nesta fase destacamos a preparação das motos (revisões, pneus e outros consumíveis) e os seguros de vida e acidentes pessoais. Estimamos 350,00 eur para esta fase.

A viagem
Considerámos os custos com combustível (maior fatia), com alimentação e dormidas.Tivemos em conta alguns detalhes como o facto do país estar inserido na EU, o desenvolvimento económico, o valor da moeda, o interesse turístico, etc. para definir a unidade-referência utilizada nos cálculos. Por exemplo considerámos cidades como Bruxelas, Paris, Praga ou Budapeste mais dispendiosas que Saint Tropez, Florença, Zagreb ou Vigo. É evidente que são números vagos e baseados em conceitos do senso comum podendo falhar, mas seguramente que levamos uma ideia dos custos. A matriz dos custos:

A estas acrescentam-se outras despesas correntes, nomeadamente com roamming e hábitos pessoais. Para estas despesas estimamos aproximadamente 200,00 eur.

O recondicionamento das motas
Após a viagem será necessário proceder ao recondicionamento mecânico das motos, para o qual estimamos 150,00 eur.

Total
Feitas as contas, estimamos um total de aproximadamente 2.500 eur por mota/condutor.

A mochila

Sim, vamos levar apenas uma mochila cada um mais o espaço, exíguo é certo mas muito útil, que as nossas motas têm debaixo do banco. O que levar é sempre importante, mas com o espaço reduzido a uma mochila para 15 dias a sua importância torna-se extraordinária.

Porquê
Porque somos adeptos do turismo do pé-descalço e essencialmente porque procuramos experiências novas e intensas. Resumindo, procuramos aquilo que não temos no dia-a-dia rotineiro e monótono do casa-trabalho-casa. Como temos todo o conforto durante o ano, fazemos questão de o dispensar por 15 dias. De resto viajar de mota com muita carga pode ser penoso e perigoso, pelo que levamos apenas o essencial.

O quê
Para além do que levamos vestido, cada condutor leva na sua mochila (ou debaixo do banco da mota):
2 t-shirts
1 par de calças de ganga adicionais
3 boxers
2 pares de meias
1 escova de dentes
2 pastas de dentes de viagem
1 par de calças de frio
1 chave suplente da mota (provavelmente trocaremos as chaves suplentes)
1 manta térmica
1 cadeado de disco
carta de condução internacional
cartão europeu de seguro de saúde (CESD)
cartão de cidadão
passaporte (validade verificada)
2 cartões de débito que no estrangeiro funcionam como crédito (em locais separados; não esquecer de verificar com o banco se é permitida a sua utilização no estrangeiro)
documentos da mota

A repartir pelas 2 mochilas e debaixo dos bancos das motas:
1 champô pequeno
1 lata de óleo de corrente de 500ml
1 litro de óleo de motor
1 kit anti-furo
1 tubo de gasolina com aproximadamente 1 metro
2 tampas de óleo (temos lido em outras crónicas que partem com facilidade e por vezes são difíceis de encontrar noutros países)
1 cabo do telemóvel (para actualizar o site com as fotografias durante a viagem)
1 carregador de telemóvel Nokia
Vários medicamentos (analgésicos, Compensam e um qualquer complexo vitamínico)

Como
Não levamos sacos de depósitos porque em viagens longas e no nosso tipo de mota tornam-se desconfortáveis e além disso são mais pesados que as mochilas, em parte por causa dos íman que os seguram às motas. Vamos segurar as mochilas no banco de trás com uma aranha (no caso da Yamaha FZ6-N S2 que tem as pegas para o pendura e que servirão de apoio para a aranha) ou cintas de aperto (no caso da Yamaha YZF R-6 que não tem apoios para a aranha). Para evitar surpresas testámos já este método nas motas. Destaco o preço da aranha que custou 5,00 eur na Expomoto da Batalha e o preço das 2 cintas de aperto que custaram ~15,00 eur (as duas) no AKI. As imagens não têm uma qualidade óptima porque foram tiradas com telemóvel numa garagem com pouca luz, mas penso que ilustram a ideia:

As cintas passam por baixo da estrutura da mota;
 
Embora não seja perceptível na imagem, as sintas passam por suportes que a mochila têm para que nunca se solte, apesar do aperto ser significativo e ser pouco provável que tal aconteça;
 
Com as mochilas atrás, a posição de condução é mais agradável;
 
Na Yamaha FZ6-N S2 é mais fácil; A aranha segura-se aos apoios do pendura;

Relativamente à muda de roupa, sempre que necessário, esta será lavada à mão nos locais onde pernoitarmos e secará durante a noite. Este procedimento já foi testado por ocasião de outras viagens e funciona na perfeição, não constituindo um esforço tão significativo como viajar com o peso relativo a muito vestuário.

O plano de contingência

Porque temos consciência que a probabilidade de algo correr mal é elevada, essencialmente porque é uma viagem longa num curto espaço de tempo, e logo, uma viagem em que a resistência física vai ser posta à prova intensamente, definimos rotas de contingência (para um regresso mais rápido) e contactámos empresas de transportes e logística (através do directório www.logismarket.pt e do www.google.pt) para o caso de nos confrontarmos com um incidente que nos impeça de fazer o regresso de mota sermos forçados a regressar de avião (tratando-se de uma avaria das motas, podemos sempre desencadear o seguro, mas no caso de um problema de saúde dos condutores, isso não será possível).

Foram traçadas as seguintes rotas de contingência, que serão aplicadas conforme a gravidade da situação e a localização actual, sendo o objectivo principal recuperar o percurso do regresso pelo caminho mais curto, e uma vez aí, cumprir o percurso de regresso:
1. Saint Tropez - Bordeaux
2. Saint Tropez - Paris
3. Bolonha - Bruxelas
4. Bolonha - Praga
5. Zagreb - Nuremberga
6. Praga - Leiria (pelo caminho mais rápido e ignorando o traçado inicial do regresso)

Como parte do plano de contingência, pesquisámos e contactamos concessionários Yamaha com oficina em alguns países de forma a agendarmos um checkup às nossas máquinas a meio da viagem.

As checklists

De forma a que as ideias não se percam, registámos sempre as nossas ideias e necessidades em check-lists que se vão manter até à última verificação: minutos antes de partir Smile
Alguns exemplos de detalhes que constam da nossa checklist principal e que não foram abordados neste texto:

levar 1 telemóvel com gps e máquina fotográfica (comprar o TomTom e os mapas respectivos)
o outro telemóvel é também um Nokia e o mesmo carregador serve para os 2
comprar suporte para telemóvel (apenas partes em falta)
fazer seguro viagem adicional que cubra morte ou invalidez
substituir pneus das motas
fazer revisão às motas (incluindo suspensão)
Verificar se há algum dos países visitados em que a "carta verde" do seguro não seja válida
Pedir carta de condução internacional

 

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Partida do Beat Club

O Beat Club Leiria apoia o projecto Long Way Round. As nossas motas podem ser apreciadas na noite de 3 para 4 na entrada desta discoteca. No dia 4 de Julho, às 5:00 estaremos no local para dar início ao nosso projecto. Apareça!

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